sábado, 26 de junho de 2021
ACREDITANDO EM CRISTO
Alegria
Descobri dentro de mim
a calma, alegria e felicidade
que precisava para viver.
Foi fácil! bastou amar.
Amar muito a tudo e a todos.
A ti dou um carinho
e a ti um beijinho
já para ti vai uma palmadinha
mas devagarinho...
a ela não digo nada
mas ólho e no meu olhar
ela sente que a estou a amar.
Em troca recebo energia
que se funde com a minha
e se transforma em alegria.
Domingas
Cascais 2012
Solidão
Perguntei a um letrado:
O que é a solidão?
Ele olhou-me admirado
Suspirou...pôs a mão no coração.
Solidão é não ter amigos
com quem falar,
e a quem ouvir.
Não ter com quem desafogar
Essas mágoas que estás a sentir.
Procura um amigo
que quando tu ris,
com vontade de chorar,
ele saiba brincar contigo
só para te alegrar.
E onde está esse amigo? digo eu
Ah! minha querida...
São difíceis de encontrar,
mas tu tens que procurar
pois se tiveres um na vida,
por feliz te podes dar.
sexta-feira, 25 de junho de 2021
O cá e o lá.
Acabei de ler uma cronica do Lobo Antunes e fiquei a pensar naquilo.
Porque será que as coisas da nossa infância e juventude ficam gravadas na nossa memória e por mais momentos bons que vívamos na idade adulta, são estes que mais estão, vivos e inteiros, na nossa memória.
Eu vivo em Cascais há 53 anos. Tenho 75.
Vivi mais aqui do que na terra em que nasci. Mas, os hábitos, as pessoas , os cantinhos, os cheiros e os sons, são mais os de Santo Aleixo que eu oiço e sinto.
Sei que me divido , muitas vezes, entre o cá e o lá, mas no prato da balança, pesa mais o lá e as saudades são sempre muitas, sobretudo dos sons e cheiros que me acompanham sempre.
Às vezes penso que já não pertenço por inteiro , nem aqui nem lá. Aqui sou sempre forasteira e lá nem a maioria me conhece ou eu conheço.
Não liguem... isto é a solidão e a nostalgia a falarem.
Pela primeira vez , na minha vida, estou a viver sozinha , e isto requer uma grande aprendizagem em todos os sentidos. Os emocionais e os mais práticos. É difícil! Mas a vida dá-nos exemplos onde vamos buscar forças, e eu tive uma mãe tão corajosa que me deixou exemplos que eu tenho que seguir.
Há muito tempo que não escrevia aqui alguma coisa. Hoje deu-me para isto.
Um beijinho para todos os que chegarem ao fim da minha cronica, e aos que ficarem a meio, também.
Cascais, junho de 2021 Domingas
quinta-feira, 10 de junho de 2021
Aprendendo a viver sozinha.
Hoje vou escrever não uma história , mas sim um desabafo.
_Desde que nasci que vivi acompanhada.
Nunca estive só.
Agora estou sozinha! E é difícil aprender a viver sozinha.
Dormir e acordar só, comer sozinha à mesa, passar o dia sem ver nem tocar em ninguém.
Vale-me o telefone e a internet.
Vou trabalhando a "aceitação", e como é difícil aceitar determinadas coisas...
Há momentos maus, desesperantes até , mas também outros de bom senso e o sentir que a vida é assim e nela entra o viver e o morrer. Todos temos que ir, não somos eternos e as separações fazem parte deste ciclo.
Agora tenho esta fase, em que tenho que me descobrir a mim, saber quem sou e qual o meu lugar neste mundo, no tempo que me falta viver.
Sempre quis viver para os outros.
Estou agora a descobrir que tenho que viver para mim, para poupar os que me são queridos, a não terem preocupações comigo.
Os meus momentos maus são meus. Os bons quero dividi-los com eles e com o mundo, e felizmente, no meio deste caos consigo vê-los e descobri-los.
Se estou cá é, com certeza, por alguma razão.
Espero sinceramente, que a vida não me reserve mais golpes duros.
Quero seguir a minha estrada tranquilamente, e que Deus me acompanhe.
Domingas
Cascais 10 de Junho de 2021
segunda-feira, 24 de maio de 2021
O meu primeiro relógio
Hoje acordei cedo. Abri a janela a janela do quarto e lá fora estava tudo molhado.
Choveu durante a noite, mas o sol vem começando a romper e o dia está claro.
Não sei porquê estou triste.
Esta pandemia não nos deixa expandir, vivemos retraídos mas o nosso pensamento não tem trancas e voa, voa e leva-nos a lugares que muitas vezes estão tão escondidinhos que nem nos lembrávamos que existiram.
Foi o caso de hoje. Olhei para o pulso ver que horas eram, e de repente vi o meu primeiro relógio que marcava sempre três horas.
Como eu gostava dele! nunca tive um tão bonito como aquele.
Era o meu tesouro.
Foi assim:
Era à noite, na cozinha da casa dos meus pais, o candeeiro a petróleo iluminava fracamente a divisão. A lareira estava acesa e vinha de lá calor e mais claridade.
Na mesa da cozinha ,junto ao candeeiro, um dos meus irmãos fazia os trabalhos da escola. Eu olhava, como que hipnotizada. As letras do livro bailavam na minha frente, sem eu as perceber, e o meu mano passava-as para o caderno branco com uma desenvoltura que me encantava. Molhava o bico da caneta no tinteiro e desenhava as letras enquanto a tinta durava no aparo, depois voltava a molhar e desenhava as letras novamente. No fim chegava a folha perto da chaminé do candeeiro para secar a tinta, e aquilo tinha um cheirinho que me agradava muito.
Eu queria brincar e pedi: mano deixa-me escrever.
Ele deu-me um bocado de papel e um lápis de carvão.
Fiz uns gatafunhos e aproximei da chaminé do candeeiro. O meu mano riu-se. Não vês que esse lápis não precisa de secar, disse-me.
Aquilo perdeu logo a graça.
Faz-me um relógio ,pedi eu estendendo p pulso.
Ele molhou o bico do aparo no tinteiro e com cuidado fez-me uma circunferência no pulso, com números dentro e os ponteiros marcando as três horas . Não se esqueceu de fazer a bracelete que fechava na parte de baixo do pulso.
Oh!!! fiquei encantada... foi a minha primeira e única tatuagem e durou uma série de dias. Eu não deixava ninguém molhar o meu pulso , e o meu relógio tinha magia, só para os outros é que marcava sempre as 3 horas, para mim aqueles ponteiros andava à volta e marcavam as horas todas.
Queria lá eu saber se o relógio da torre da igreja batia as 7 horas , no meu até podia ser meio dia. Vivi uns dias feliz e encantada com esta prenda linda, quando se começou a apagar, peguei num lápis de cor azul, molhei o bico na ponta da língua e fui passando por cima do risco, mas ficou diferente. Perdeu a graça. Lavei o pulso com água e sabão e guardei o relógio na minha imaginação.
Hoje fui lá buscá-lo e vivi um bocadinho daquela alegria.
Voltei a guardá-lo.
Hei-de lá ir outro dia ver as horas.
Cascais Agosto de 2020
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
a minha caminhada
A minha caminhada
O sol escondia-se para além do oceano, e eu ficava nostálgica a olhar as nuvens negras, que já andavam a prometer água, havia uns três dias.Sentada no banco virado pró mar, ouvia o barulho dos carros passarem velozes nas minhas costas a caminho do Guincho.
Virei-me e dispus-me a fazer a caminhada de volta.
Nesta altura do ano anoitece rápido e eu tinha ainda uns três a quatro kilómetros, até casa.
Poderia ter ido mais a direito, mas apeteceu-me ir junto ao mar e virei para o lado da Boca do Inferno.
Apressei o passo quando umas pingas grossas começaram a cair na minha cabeça. Eh pá! poderia, ao menos , ter esperado que eu chegasse a casa... mas o fresco da água a cair sobre mim , fez-me sentir bem.
Quando chegar a casa tomo um duche quente, pensei, e não me vou constipar.
De repente: trááásss... um barulho estrondoso ao meu lado. Dois carros bateram.
Alguém gritava dentro dum dos carros.
Que fazer?
Chamar o 112 e aproximar-me para ver em que podia ajudar.
A chuva engrossava e os outros carros não paravam.
A rapariga, que gritava, estava presa entre o volante e banco do carro. Ao ver-me, apontava para o banco de trás, e dizia-me: ajude a minha avó, por favor.
A senhora idosa gemia, mas fingindo uma calma, que não tinha, disse: calma filha, eu estou bem, não te preocupes.
Através da janela, estendi-lhe a minha mão e ela apertou-a com força, as lágrimas a correr pela cara abaixo.
Corajosa esta senhora de 89 anos!
A ambulância veio, a avó tinha a anca fraturada, e a neta um pé. Foi isso que os bombeiros diagnosticaram, mas o raio x o diria.
Lá foram para o hospital e eu acabei por apanhar um taxi para vir para casa.
Nessa noite dormi mal. As imagens vinham e formavam-se em sonhos.
As lágrimas daquela senhora mexeram comigo.
Dezembro de 2017