sábado, 19 de janeiro de 2013



              Os numeros vão à escola

(Esta história é para a Inês, que anda a aprender os numeros)

O 1 era um menino magrito e triste. Vivia perto do 2 e do 3,mais gorditos que ele e também mais alegres.

Um dia ,no jardim, o 2 e o 3 convidaram o 1 para brincar. A partir daí ficaram amigos e juntavam-se muitas vezes para jogar, passear ou brincar.

Eram da mesma idade e iam para a escola no fim desse Verão. Estavam entusiasmados por ir conhecer outros meninos e aprender a ler e contar. No primeiro dia o professor juntou-os dois a dois nas carteiras. Assim o 1 ficou ao lado do 2 e o 3 ficou com um menino moreno chamado 4 a quem os meninos chamavam o cadeirinha.

Atrás do 1 e do 2 ficou o 5 e o 6. O irmão do 6 era o 9 que estava ao lado do 8 que era primo deles, e já estavam habituados a brincar juntos. O 7 sentia-se triste, ficou com o 10 que era um pouco esquisito. Até o 1 quando o viu, ficou confuso.

Ele é parecido comigo, não achas? perguntou ele ao 2.

Não é só contigo, também se parece com os manos 6 e 9 e com o primo deles o 8. Qeres ver que são todos da mesma família? todos têm formato de bola num dos lados!

Eu não tenho! disse o 1, mas o 10 tem qualquer coisa  que  não me é estranha.

---Os meninos falavam assim no primeiro dia, mas ao fim duma semana já eram todos amigos, e já nem viam as semelhanças nem as diferenças.

O professor disse que faziam parte dum grupo, tinham que ser unidos e juntos iriam fazer coisas que nem imaginavam. isso tornou-os mais amigos uns dos outros, e estavam ansiosos por aprender mais, cada dia que passava.

Naquele dia o professor chamou o 1 e o 2 ao quadro e disse-lhes: vamos fazer contas. Escutem todos com atenção: se eu juntar e 1 mais o  2  o que fica?

Silêncio total, os meninos não sabiam. O 8 levantou a mão a medo.

Diz, disse o professor.

Ficam três!

Pode ser, muito bem 8.

O 3 olhava espantado . Como era possivel? ele estava sentado na sua carteira.

---Mas também pode ser muito mais, vocês juntos têm muito poder-- continuava o professor. Ora vejam, se eu juntar o 1 mais o  2 ficam três, mas se eu unir o 1 ao 2, assim (12), ficam doze.

Oh!!! exclamaram todos, eles nunca tinham ouvido aquele nome.

Agora vai sentar-te tu ó 2, só fica o 1. Vem cá tu 3.

E agora se eu juntar o 1 mais o 3 quantos ficam?

Quatro, gritou o 10.

Muito bem, e se eu os unir assim (13) o que fica?

Ninguém respondeu. São treze, meus meninos, e se unir o 1 com o 4  (14) ficam catorze, se for com o 5 (15) ficam quinze, se for com o 6 (16) são dezasseis, se for com o 7 (17) são dezassete, se for com o 8 (18) são dezoito, e se for com o 9 (19) são dezanove.

Estavam todos atentos, o 1 sentia-se inchado de orgulhoso, afinal ele era importante e podia fazer equipa com todos os colegas.

O 10 estava pensativo. E eu, professor?

Tu já é outra coisa... vamos ver isso mais à frente. mas o que fizémos com o 1 podemos faze-lo com todos vocês.

Amanhã continuaremos. Gostaram da aula?

Simmmm! gritaram todos.

Então até amanhã.

                                                                     avó Mingas

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Circulação sanguínia

Estávamos em Agosto deste ano.Eu o meu marido e as minhas três netas mais novas, resolvemos ir passar as férias das miudas no Alentejo.
_Naquele dia, depois do almoço o avô foi dormir a sesta.É nessas horas do calor que eu não quero que elas vão para a rua , e para  não fazerem muito barulho , acabamos muitas vezes sentadas no chão a contar histórias.
Mas nesse dia a Teresa (11 anos) resolveu ir estudar, e a Matilde (8 anos) foi com ela. A Inês(3 anos) brincava com as bonecas.
_Avó, diz a Teresa, estou a estudar a circulação sanguínia,é tão confuso, podias ajudar-me?
A Matilde que estava às voltas com a tabuada, olhou logo interessada.
Lembrei-me dum livro que tinha na estante , do (Papiniano Carlos) sobre isso, e que conta uma  história maravilhosa.
Está bem,meninas,digo.Vamos ver isso da circulação e trabalhando com a nossa imaginação vamos fazer uma viagem dentro das nossas veias, querem?
Sim, avó, vai ser interessante.
Indiferente a tudo a Inês continuava a brincar  com as bonecas.
Ora vamos lá então, sabem que temos as ARTÉRIAS, as VEIAS , os VASOS  CAPILARES e que quando se juntam formam uma rede de canais e canaizinhos, que partem do coração e a ele voltam trazendo e levando vida?
Não podemos esquecer os GLOBULOS BRANCOS e VERMELHOS e as PLAQUETAS. E também os quatro orgãos que são quatro máquinas magníficas ligadas ao curso sanguínio. São elas: o CORAÇÃO que o bombeia, os PULMÕES onde é arejado e oxigenadoo FÍGADO e os RINS que o limpam e o regeneram.É a maior maravilha do mundo.
Então vamos começar a nossa viagem. Imaginem-se seres minusculos dentro dum barquinho também minusculo a viajar pelas veias.
_ Nessa altura já a Inês deixara as bonecas e estava no meu colo,com a cabeça no meu peito e os olhos muito abertos.
Veêm aqueles seres estranhos que vão na corrente? alguns são barquinhos que levam SAIS MINERAIS, outros levam VITAMINAS e PROTEÍNAS. Espectáculo de cores! Também há barcos negros que transportam RESÍDIOS  TÓXICOS a caminho das centrais de tratamento.
Há as HORMONAS que levam e trazem mensagens. E lá vêm eles! aqueles cavaleiros  couraçados de lanças em riste!_ Quem são, avó?
São os GLOBULOS VERMELHOS que transportam o OXIGÉNIO que trazem dos PULMÕES e orientam nos canais  para na volta trazerem o ANIDRIDO CARBÓNICO.
Agora vejam aqueles seres bonitos e ágeis e os outros feios, cobertos de  espinhos e trombas pontiagudas,viscosos e repugnantes...
Já sei, diz a Teresa,são os MICRÓBIOS!
É verdade!
_Mas também há MICRÓBIOS  bonitos? pergunta a Matilde.
Sim ,Matilde, nem todos os´MICRÓBIOS transportam doenças,há alguns inofensivos e benéficos.
Olhem agora aqueles cavaleiros com espadas faíscantes.
Quem são? perguntam as duas.
São os GLOBULOS BRANCOS, grandes defensores deste canal e são seguidos por inumeros seres pequeninos, os ANTICORPOS,que juntos vão combater  o monstro feio da doença.
A Inês disse: não gosto do monstro ,avó!_ Pois não meu amor.
Agora o barco desliza suavemente,ouvem alguma coisa?
O quê? um bum bum bum?
Aproximam-se outros trabalhadores sempre apressados, estão a fazer um dos trabalhos mais belos da criação. São as PLAQUETAS. São tão bonitas! Parece que têm pás e botas de vidro.
O que é que fazem com as pás?diz a Teresa.
Estão a soldar os tecidos destruidos por algum acidente físico, oseu papel principal é a COAGULAÇÃO  do sangue, e assim vão tapando as fendas e reconstruindo os tecidos magoados.
E navegando chegámos a um grande lago.
Olha Teresa parece que andamos de barco na barragem do Alqueva, diz a Matilde.
Pois é responde a Teresa e todas rimos.
Agora escutem ,o que é que ouvem?
Oh! avó mas que grande barulho!!! já sei é o coração!...
É sim ,Teresa, em breve passamos as comportas, repara como o rio é cada vez mais largo e fundo,é uma das VEIAS  CAVAS, a superior, vamos entrar no CORAÇÃO, nessa bomba poderosa que impulsiona e faz circular o sangue, irrigando todo o corpo.
Como é que ele trabalha é com eléctricidade? pergunta a Matilde.
Sim o coração recebe determinados impulsos nervosos e electricos, porque não? e fazem com que  bata  a vida inteira.
A corrente é agora mais rápida, ouvem-se  fortes trovões, BUM BUM BUM, as meninas deram as mãos entre si e fecharam os olhos.
Vamos despenhar-nos???
Não!!! abram os olhos , olhem que lindo, estamos a atravessar  a planície pulmonar, este pântano de gazes a borbulhar, onde o SANGUE  VENOSO carregado de ANIDRIDO  CARBÓNICO se transforma em SANGUE  ARTERIAL  cheio de vida e oxigénio.
Em breve chegaremos ao CÉREBRO ,um dos mais importantes orgãos do homem.
As miudas estão curiosas mas a Inês já dorme no meu colo.
Agora vejam a parte mais nobre do ser humano. Uma massa cinzenta , pastosa e tão frágil!... aqui mora a INTELIGÊNCIA, o SONHO , o PASSADO , e o PRESENTE. O oxigénio não pode faltar aqui é o seu combustivel principal.
Minhas queridas meninas , acho que vou deitar a Inês, e a história acaba aqui.
Avó foi tão bonito!!!

domingo, 18 de março de 2012

PRIMAVERA




PRIMAVERA



Fui ontem ao Alentejo
encontrei-me com a Primavera
com um vestido de chita às flores
brancas, verdes e amarelas

Encontrei-a mais bonita
parece que rejuvenesceu
com as faces da cor das papoilas
e os olhos da cor do céu

Demos as mãos e fomos juntas
passeando pelo campo
deitámo-nos num lençol de margaridas
rimos, e conversámos tanto

Contou-me que está apaixonada
pelo prado, tão verdinho
e volta e meia como quem não quer a coisa
dão abraços e beijinhos

Apercebemo-nos as duas
a sorte que cada uma tinha
ela com o prado verde
e eu... com o meu Patinha

Pois para terminar meus amigos
um conselho lhes vou dar
aproveitem este tempo lindo
e vão ao Alentejo passear.

                               Domingas




Um dia no campo

Era uma vez um menino que se chamava Miguel. Era lindo e gostava muito de brincar.

Um dia pediu ao pai e à mãe que o deixassem ir brincar para o campo queria ver os animais.  

Para o campo Miguel? Mas não podes ir sozinho… disse-lhe a mãe.

 Eu sei, o João Maria, a Beatriz e a Alice também podiam ir.

Bem pensado…--disse o pai.

Mas para onde é que vocês iriam?

Vamos ao monte da prima Estevens, era tão divertido...

Está bem, vamos combinar isso.

E assim, lá foram todos no carro do pai Flávio, até ao monte da prima.

 O Rui prontificou-se logo a levá-los a ver os javalis e os muflões, e eles muito muito valentes, não tinham medo de nada.

 É certo que levavam com eles os amiguinhos cães Campinho e Ross, que o Miguel conhecia muito bem, e gostavam muito dele.

Quando um javali se aproximou o Miguel apanhou a mão do pai com força e o João Maria disse: não tenhas medo Miguel, ele não nos vai fazer mal.


Mas a Alice olhou para a Beatriz e perguntou:

Tu não tens medo? Eu estou cheia de medo…

Calma, disse a Beatriz, está aqui o Rui e o Flavio e também os cães, não nos vai acontecer nada.

Depois foram até ao rio, brincaram na água apanharam uma rã e um cágado, meteram-nos num balde e trouxeram para o monte.

Quando chegaram já a prima Estevens, a avó Maria e a mãe Lena, tinham o lanche feito.

Eles vinham famintos, beberam leite com fatias douradas com ovos das galinhas da prima.

Era tudo tão bom e eles estavam tão contentes…. Mãe, podemos repetir este dia, outra vez? Perguntou o Miguel.

 Claro, filho, vamos vir mais vezes e para a proxima fazemos um piquenique na ribeira e trazemos a avó Mané e a vóvó.

Os miudos ficaram felizes e o Miguel que era o mais pequeno batia palmas.

 Assim acabou o passeio ao campo.

Mas qualquer dia vão fazer um até á praia, eu prometo.

                        

                           Madrinha Domingas